sábado, 4 de julho de 2009

Sobre política brasileira (e mais uma reclamação sobre o Berlusconi)

Há tempos precisava colocar em caracteres digitais este assunto. Fiquei alguns meses sem ler de verdade jornal - no ano passado e começo deste ano. E a razão é simples: não há como enxergar uma luz no fim do tunel na política brasileira (o jornal, pra mim, é antes de mais nada, sobre política). Abra o jornal: "as instituições políticas brasileiras estão falidas". Ouça CBN: "as instituições políticas brasileiras estão falidas". Leia na internet: "as instituições políticas brasileiras estão falidas". Não há políticos descentes. Não há partidos sérios. Não há alternativas reais.

E também não há como negar: ter o Sarney - mais uma vez - na presidência do Senado e o Lula - mais uma vez - defendendo o indefensável é de acabar com a esparança de qualquer um sobre a política brasilera. E aos poucos é natural que as pessoas que se preocupam com política sem fazer diretamente parte dela se tornem resignadas e céticas. E deixem de defender as instiuições políticas por acharem que elas realmente faliram.

Conheço várias pessoas que pensam assim. Muitas das quais respeito muito. Por várias vezes eu chego achar que realmente só nos resta uma atitude blasé para não ter úlcera por causa de política. Mas tento sempre lembrar que há um risco enorme em suspender o apoio às instituições democráticas (e aos partidos políticos), por mais falhas que sejam: é o risco Berlusconi. Ou o risco Chavez, se preferirem.

O que têm Berlusconi e Chavez em comum? É que ambos chegaram ao poder por fora da disputa política convencional (não por fora da regra, é bom ter claro). Chegaram em momentos nos quais o partidos políticos saíam de escândalos no poder e de anos de ingerência à frente do Estado. Chegaram quando os eleitores avaliaram que "políticos - e partidos - são todos iguais". Quando os cidadãos se tornaram resignados e céticos. O discurso era semelhante: "não sou como os demais que há tanto tempo aí estão". Ambos eram quase a-políticos.

Sei que é difícil acreditar - e acompanhar sem dor - o que acontece na política brasileira. E mais difícil ainda é não mandar tudo pros ares. Mas sempre que eu penso no Chavez ou no Berlusconi eu volto a ler jornal.

3 comentários:

  1. gosto da frase: escrvo p/ n me sentir sozinho

    descobrir seu blog me faria adaptar a afirm:

    leio leobarone e encontro cia p/ minhas aflicoes.

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  2. Também tenho algumas questões a esse respeito. Será que nossas instituições democráticas não estão "falidas" exatamente por esse caráter apolítico da sociedade civil??
    Não sei, com uma constituição que tudo que parece fazer é por "veto power" a várias cameras, com a possibilidade de alta representividdade consesual... será que não falta a nosso povo a vontade de fazê-lo e não deixar de manifestar isso? O voto em Franks Aguiar e na família Sarney só me ajuda a ficar desgostosa com tudo isso.
    Mas por exemplo, não acredito que a saída seja um digo que fico de sarney ou sua saída... não quero que meu medo se realize mais uma vez. Mais um episódio Roberto Jefferson e tudo voltar a mesmice e a não mais ser falado por ninguém...

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  3. Lembro da Maria Rita falando: "não há mudança política que não seja política".

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